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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Corpo de Belchior é velado no Teatro São João em Sobral

Aeronave que trouxe o corpo de Belchior transportava também seis
familiares: duas irmãs - Lília e Ângela Belchior - além de sobrinhos -
Foto: Marcelino Júnior - Diário do Nordeste
O avião com o corpo do cantor cearense Belchior chegou ao Aeroporto Coronel Virgílio Távora, em Sobral, por volta das 6h15 desta segunda-feira (1º). Além do corpo do cantor, a aeronave transportava seis familiares: duas irmãs - Lília e Ângela Belchior - além de sobrinhos. Todos estavam acompanhados do secretário de Cultura do Estado, Fabiano Piúba. 
Ângela Belchior disse que a morte do cantor pegou a todos de surpresa, que fazia tempo que ele não dava notícias. Belchior não revia os parentes há cerca de onze anos. 
"Apesar dos anos sem rever os parentes, nós nos amávamos e escolhemos por tê-lo nesse último momento eu sua cidade, que é Sobral. Após o velório aqui, seguimos para Fortaleza, onde meu irmão será velado novamente e sepultado junto dos nossos pais, no Parque da Paz", disse.
O músico será velado, em Sobral, no Theatro São João, de 7h às 10h desta segunda (1º) ; de lá, será trazido a Fortaleza para outro velório, no Centro Dragão do Mar, de meio-dia às 7h de terça (2).
O corpo partiu do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por volta da 1h da madrugada, em um voo fretado pelo governo cearense, chegando a Sobral às 7h40.
Desde cedo fãs esperaram na praça em frente ao teatro, decorado com imagens do cantor na fachada. Moradores também foram receber o corpo no aeroporto da cidade e acompanharam o carro do Corpo de Bombeiros até o teatro. O velório será aberto ao público.
Teatro São João, no Centro de Sobral, preparado para homenagens ao cantor
(Foto: João Pedro Ribeiro/TV Verdes Mares)
Belchior foi encontrado morto em casa ontem, em Santa Cruz do Sul (RS), aos 70 anos. Ele vivia na cidade de 126 mil habitantes do Vale do Rio Pardo, a cerca de 150 km de Porto Alegre, com a esposa, Edna, que o encontrou morto. Ela disse à polícia que Belchior não tinha problemas nem tomava medicamentos. Ele se sentiu mal na noite de sábado, se queixou de muito frio à esposa e disse que ia descansar no sofá da sala, que ele usava para fazer suas composições, segundo vizinhos.
Fãs à espera pelo início do velório antes das 7h da manhã
(Foto: João Pedro Ribeiro/TV Verdes Mares)
Belchior continuava compondo, embora não tivesse planos de fazer shows ou gravar discos, e traduzia suas canções e obra de Dante Alighieri.
Segundo amigos, o artista vivia há quatro anos em Santa Cruz do Sul - dos quais cerca de dois anos na casa onde morreu, cedida por um amigo. O Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza decretaram luto oficial de três dias pela morte de Belchior.
Casa onde o cantor Belchior morava em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul
(Foto: Muriel Porfio/RBS TV)
Análise preliminar indica que o cantor cearense morreu em razão do rompimento da artéria aorta, segundo a delegada Raquel Schneider. Schneider falou com o médico do IML da cidade de Cachoeira do Sul, responsável pela necropsia em Belchior. De lá, seu corpo foi levado para Venâncio Aires para ser embalsamado.
Cantor e compositor, Belchior também pintava. Na foto, Belchior em seu
ateliê em 1987 - (Foto: Silvio Ricardo Ribeiro/Agência Estado)
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes - "um dos maiores nomes da música popular", como brincava ao se apresentar - nasceu em 26 de outubro de 1946 e foi um dos ícones mais enigmáticos da música popular no Brasil, com quase 40 anos de carreira.
Teve o primeiro sucesso nos anos 70 ao lado de Fagner, com a faixa "Mucuripe". Com o disco "Alucinação" (1976), lançou clássicos como as faixas "Apenas um rapaz latino-americano", "Velha roupa colorida" e "Como nossos pais", essa última que se tornou conhecida na voz da cantora Elis Regina.
Belchior passou últimos anos recluso, compondo e traduzindo obra de poeta.
Paradeiro
Segundo o colunista do G1 Mauro Ferreira, o cantor não tinha paradeiro certo desde 2008. Em 2007, a família reclamou do sumiço do artista, que abandonou a carreira, e nem mesmo seu produtor musical conseguia contato. A partir daí, foram surgindo boatos a respeito do paradeiro do cantor.
Segundo reportagem do Fantástico, Belchior abandonou ao menos dois carros, sem explicação. Um deles, deixado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, acumulando milhares de reais em dívidas de estacionamento. Outro veículo, uma Mercedes-Benz do cantor, foi largado em um estacionamento também em São Paulo, onde ele morava antes de ir para o Uruguai.
Belchior chegou a ser procurado pela polícia em 2012, devido a uma dívida de US$ 15 mil em um hotel na cidade de Artigas, no Uruguai, por seis meses de diárias. No fim daquele ano, em meio à polêmica, foi visto em Porto Alegre, mas não quis gravar entrevista.
Trajetória
Na infância no Ceará, Belchior estudou piano e música coral, e trabalhou no rádio em sua cidade natal. Seu pai tocava flauta e saxofone, e sua mãe cantava em coro de igreja. Mudou-se em 1962 para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Também chegou a estudar medicina, mas abandonou o curso em 1971 para se dedicar à música.
Começou apresentando-se em festivais pelo Nordeste. Depois do sucesso de "Mucuripe", mudou-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para filmes e passou a fazer shows maiores e aparições em programas de televisão. Em 1974, lançou seu primeiro disco, "A palo seco", cuja música título se tornou sucesso nacional e ganhou versões ao longo da história, como a de Oswaldo Montenegro e da banda Los Hermanos.
Belchior quando era apenas um garoto. FOTO: ACERVO PESSOAL NILSON BELCHIOR
Outros artistas também regravaram sucessos de Belchior, entre eles Roberto Carlos ("Mucuripe") e Erasmo Carlos ("Paralelas"), Engenheiros do Hawaii ("Alucinação"), Wanderléa ("Paralelas") e Jair Rodrigues ("Galos, noites e quintais"). Elis Regina foi uma de suas maiores intérpretes: além de "Como nossos pais", gravou "Mucuripe", "Apenas um rapaz latino-americano" e "Velha roupa colorida".
Em 1982, o cantor lançou "Paraíso", que tem participações dos àquela época ainda jovens artistas Guilherme Arantes, Ednardo Nunes, Jorge Mautner e Arnaldo Antunes. Fundou sua própria gravadora e produtora, a Paraíso Discos, em 1983. Ao longo da carreira, Belchior teve mais de 20 discos lançados.
Leia reportagem especial do Jornal O Povo pelos 70 anos de vida de Belchior no link: AQUI
Em Santana do Acaraú – O Cantor Belchior era amigo pessoal do artista plástico santanense Audifax Rios, no ano de 1999 a convite de Rios e do Prefeito de Santana do Acaraú, João Ananias Vasconcelos Neto, Belchior esteve em Santana do Acaraú e fez um show aberto ao público no Famol Clube. Deixou uma mensagem escrita na parede da residência da família de Audifax Rios.
Belchior em Santana do Acaraú no ano 2001 ao lado de João Ananias e Audifax Rios. Em pé Saulo Mendes, Francisco Leandro Costa, 
Elano Mendes Sobreira e Mayton Maiton Fredson Silvia Lopes. - Foto: Arquivo Pessoal 

Discografia

• 1971 - Na Hora do Almoço (Copacabana - Compacto)
• 1973 - Sorry, Baby (Copacabana - Compacto)
• 1974 - Mote e Glosa (Continental - LP/K7)
• 1976 - Alucinação (Polygram - LP/CD/K7)
• 1977 - Coração Selvagem (Warner - LP/CD/K7)
• 1978 - Todos os Sentidos (Warner - LP/CD/K7)
• 1978 - Pop Brasil (Warner Music / WEA)
• 1979 - Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (Warner - LP/CD/K7)
• 1980 - Objeto Direto (Warner - LP)
• 1982 - Paraíso (Warner - LP)
• 1984 - Cenas do Próximo Capítulo (Paraíso/Odeon - LP)
• 1986 - Um Show: 10 Anos de Sucesso (Continental - LP)
• 1987 - Melodrama (Polygram - LP/K7)
• 1988 - Elogio da Loucura (Polygram - LP/K7)
• 1990 - Projeto Fanzine (Polygram - LP/K7)
• 1991 - Divina Comédia Humana (MoviePlay - CD)
• 1991 - Acústico (Arlequim Discos - CD)
• 1993 - Baihuno (MoviePlay - CD)
• 1995 - Um Concerto Bárbaro: Acústico ao Vivo (Universal Music - CD)
• 1996 - Vício Elegante (Paraíso/GPA/Velas - CD)
• 1999 - Autorretrato (BMG - CD)
• 2002 - Pessoal do Ceará (Continental / Warner - CD)
• 2008 - Sempre (Som Livre - CD)
Fontes: Diário do Nordeste e G1

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